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IA em escala: Por que empresas brasileiras lutam para gerar valor com a tecnologia

Apenas um terço das empresas que usam IA o fazem em escala, segundo a McKinsey. Líderes de PicPay, Localiza e Riachuelo revelam os desafios para ir além da experimentação.

Por Análise IA NewsAnálise própria IA News26 de agosto de 20265 min de leitura
IA em escala: Por que empresas brasileiras lutam para gerar valor com a tecnologia
Foto: NeoFeed

Uma pesquisa global da McKinsey aponta que 88% das organizações já utilizam inteligência artificial em ao menos uma área de negócio, mas apenas um terço conseguiu escalar o uso da tecnologia. Este é o abismo que separa a adoção inicial da geração de resultados concretos, tema central do evento NeoSummit IA na Real, que reuniu líderes de mercado em São Paulo para discutir aplicações práticas da tecnologia.

A discussão corporativa deixou de ser sobre adotar ou não a IA e passou a girar em torno de como incorporá-la de forma efetiva aos negócios para aumentar receita ou reduzir custos. As experiências de empresas como PicPay, Microsoft, Localiza e Riachuelo indicam que o caminho passa pela integração com processos existentes e pela capacidade de resolver problemas de negócio específicos.

O dilema da escala no financeiro e na segurança

No setor financeiro, a IA já habilita serviços mais ágeis e análises de risco mais precisas. O painel com Eduardo Chedid, CEO do PicPay, e Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, ilustrou a dinâmica do setor: de um lado, uma instituição digital com milhões de clientes buscando otimizar a jornada do usuário e, do outro, um provedor de tecnologia que oferece as ferramentas para automação e processamento de dados em grande volume. A aplicação da IA permite ao PicPay não apenas agilizar o atendimento, mas também aprimorar a detecção de fraudes e automatizar tarefas internas, desafios que crescem com a base de clientes.

Na segurança digital, a expansão da IA representa uma faca de dois gumes, pois a mesma tecnologia que protege sistemas pode ser usada para atacá-los. Para Gustavo Castro, CEO da FS, e Luís Fernando Liguori, da AWS, o foco está no uso da IA para identificar comportamentos suspeitos e proteger dados sensíveis. A discussão mostra que, para combater golpes e invasões, é necessário ter uma infraestrutura tecnológica robusta, capaz de analisar um volume massivo de informações em tempo real e identificar anomalias que passariam despercebidas por sistemas tradicionais.

Mobilidade e varejo: IA como motor de novas experiências

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Contexto visual da matéria: IA em escala: Por que empresas brasileiras lutam para gerar valor com a tecnologia
Apenas um terço das empresas que usam IA o fazem em escala, segundo a McKinsey. Líderes de PicPay, Localiza e Riachuelo revelam os desafios para ir além da experimentação. · Imagem ilustrativa — IA News

A transformação dos transportes, debatida por Alexandre Baldy, da BYD Brasil, e Bruno Lasansky, da Localiza, vai além dos veículos elétricos. O valor da IA no setor de mobilidade está na gestão de dados gerados por carros conectados. A análise dessas informações permite uma gestão de frotas mais inteligente, otimização de rotas com base em dados de trânsito e uma modernização da infraestrutura, impactando diretamente a operação de empresas como a Localiza.

No varejo, a personalização é o objetivo final. O painel com executivos da EXA, Zoox e Riachuelo abordou a transição da segmentação de consumidores em grandes grupos para a individualização da comunicação. A IA permite adaptar produtos, serviços e mensagens ao comportamento de cada consumidor. Para uma varejista como a Riachuelo, que lida com milhões de jornadas de compra, o desafio é transformar dados dispersos em conhecimento acionável. A solução, como apresentado, envolve um ecossistema com empresas especializadas em dados, como a Zoox, e em serviços digitais, como a EXA.

Estratégias de integração: o padrão de sucesso

Um padrão recorrente nos debates foi a parceria entre empresas usuárias e provedores de tecnologia. A colaboração entre quem tem o problema de negócio (o usuário) e quem desenvolve a solução tecnológica (o provedor) parece ser o modelo mais eficaz para acelerar a obtenção de resultados. Essa dinâmica coloca frente a frente experiências complementares para confrontar visões sobre os avanços e os desafios da IA. Os principais campos de aplicação que demonstram valor concreto são:

  • Serviços Financeiros: Automação do atendimento, análise de crédito e risco, e detecção de fraudes.
  • Segurança Digital: Identificação de comportamento suspeito e proteção de dados sensíveis contra golpes e invasões.
  • Mobilidade: Gestão inteligente de frotas com base em dados de carros conectados e informações de trânsito.
  • Varejo: Adaptação de produtos, serviços e mensagens ao comportamento de cada indivíduo.

As discussões no evento mostram que a fase de encantamento com a IA está dando lugar a uma cobrança por resultados práticos. O foco agora está em como integrar a tecnologia de forma a gerar valor demonstrável, saindo do campo das promessas para a realidade operacional das empresas.

Análise IA News

A leitura da nossa redação

Por Equipe IA News

A configuração dos painéis do NeoSummit, com pares de provedores de tecnologia e empresas usuárias, expõe uma realidade do mercado de IA: o sucesso na implementação não é mais um problema puramente tecnológico, mas de integração e estratégia de negócio. A presença de duplas como PicPay e Microsoft ou Localiza e BYD sinaliza que a geração de valor em escala vem de parcerias estratégicas. A tecnologia está se tornando uma commodity; o diferencial competitivo está na capacidade de aplicá-la para resolver problemas de negócio centrais, não em desenvolvê-la do zero.

O dado da McKinsey sobre apenas um terço das empresas escalarem o uso de IA cria um novo divisor de águas competitivo. As companhias que conseguem transpor a barreira da experimentação e integrar a IA em seus processos core, como Riachuelo na personalização ou Localiza na gestão de frotas, estão construindo um fosso competitivo. Elas não estão apenas otimizando processos existentes, mas redesenhando suas operações em torno de dados e automação inteligente, o que torna mais difícil para os concorrentes alcançá-las.

A questão do equilíbrio entre automação e decisão humana é abordada de forma implícita. As aplicações discutidas, como detecção de fraude ou atendimento inicial, focam em automatizar o volume e a velocidade, liberando especialistas humanos para focarem em casos complexos e decisões estratégicas. O objetivo não é a substituição completa, mas a criação de uma força de trabalho aumentada pela IA, onde a tecnologia processa os dados e o humano aplica o julgamento crítico.

Para os próximos meses, o ponto a ser observado é a evolução dessas parcerias. As empresas usuárias, como PicPay e FS, buscarão internalizar mais competências para reduzir a dependência dos grandes provedores de tecnologia, ou a simbiose se aprofundará? O equilíbrio de poder nesses ecossistemas e a capacidade das empresas de extrair e reter o conhecimento gerado serão determinantes para a próxima fase da transformação digital no Brasil.

Contexto para empresários e decisores

O mercado brasileiro de inteligência artificial para empresas está em fase de maturação, saindo da prova de conceito para a busca por ROI. Grandes corporações, especialmente nos setores financeiro e de varejo, lideram a adoção, mas enfrentam o desafio de integrar novas tecnologias a sistemas legados. O custo e a complexidade dessa integração são barreiras significativas. A competição entre provedores de nuvem como AWS e Microsoft é intensa, com cada um tentando se posicionar como a plataforma padrão para a jornada de IA das empresas. A regulação, notadamente a LGPD, exige uma governança de dados rigorosa, adicionando uma camada de complexidade estratégica aos projetos.

Impactos para empresas

  • 1Redução de custos operacionais: A automação de tarefas como atendimento ao cliente e análise de crédito, como no caso do PicPay, diminui a necessidade de mão de obra para processos repetitivos.
  • 2Aumento da eficiência em segurança: O uso de IA para identificar padrões suspeitos em tempo real, como discutido pela FS e AWS, pode reduzir perdas financeiras por fraudes e ciberataques.
  • 3Otimização da gestão de ativos: Empresas como a Localiza, ao usar IA para gestão de frotas, podem melhorar a utilização de veículos e a logística, resultando em menor custo de manutenção e maior receita por ativo.
  • 4Melhora na conversão de vendas: A personalização em escala, exemplificada pela Riachuelo, aumenta a relevância das ofertas para o consumidor individual, elevando as taxas de conversão e a receita.
  • 5Criação de novas linhas de receita: A combinação de dados e IA, como explorado por Zoox e EXA, permite o desenvolvimento de novos produtos e serviços digitais que não seriam possíveis anteriormente.

Conclusão editorial

A era da experimentação com inteligência artificial chegou ao fim para as empresas brasileiras que querem se manter competitivas. O foco agora deve ser escalar as aplicações que geram valor mensurável, superando o desafio que retém dois terços das organizações. A recomendação é clara: priorize casos de uso com alto potencial de retorno e estabeleça parcerias estratégicas para acelerar a execução e a integração da tecnologia aos processos de negócio.

— Redação IA News

Fontes utilizadas

Apuração, análise e conclusão editorial produzidas pela redação do IA News a partir das fontes acima. O conteúdo não reproduz o texto original.