IA na construção de marca: Voz, comunidade e cultura no radar de líderes
Líderes de OpenAI e ElevenLabs debatem no NEEX 2026 o uso de IA para criar identidade de voz e gerir comunidades, integrando a economia criativa como ativo de negócio.

A discussão sobre o futuro da construção de marcas no Brasil ganhou novos contornos estratégicos durante o NEEX 2026, evento realizado pela EXAME e BTG Pactual Empresas. Painéis com líderes da OpenAI, ElevenLabs e Cimed indicam que a inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta puramente operacional para se tornar um vetor de branding, com foco na criação de identidades de voz e no fomento de comunidades. A tese é fortalecida pela visão de que a economia criativa, que já representa 3,3% do PIB brasileiro, funciona como um pilar de posicionamento para as empresas que buscam diferenciação.
IA como pilar da identidade de marca sonora
A inteligência artificial está permitindo que empresas desenvolvam uma personalidade sonora, um conceito que Eduardo Villalba, head de Enterprise Marketing da ElevenLabs no Brasil, chama de 'voice design'. Segundo o executivo, as marcas podem agora ir além da identidade visual e pensar em como serem reconhecidas pela voz. A evolução da tecnologia de vozes sintéticas humanizadas abre a possibilidade de interagir com consumidores de forma mais pessoal e em múltiplos contextos.
Porque a tecnologia se torna mais acessível, a capacidade de ter uma voz proprietária não é mais restrita a grandes corporações. Villalba afirmou que, "pela primeira vez, a voz que uma marca pode ser de fato falada. A voz realmente pode virar a marca". Isso significa que a comunicação de uma empresa, seja em um assistente virtual, em um anúncio ou no atendimento ao cliente, pode carregar uma assinatura sonora consistente, reforçando os atributos da marca a cada interação e criando uma nova camada de reconhecimento e conexão emocional.
Comunidades: O ativo estratégico além da audiência
Gostou desta análise? Receba a próxima primeiro.
Edição diária da IA News com impacto real para empresas — grátis no seu e-mail.
Outro pilar estratégico discutido foi a criação de comunidades, uma abordagem que Christian Rôças, head de Comunidades, Influencers e Talento Latam da OpenAI, diferencia claramente do conceito de audiência. Para Rôças, uma comunidade não é um grupo de pessoas em um aplicativo de mensagens, mas um ecossistema baseado em "relação contínua, troca de membros, cultura própria e senso de pertencimento".
Construir esse ativo exige que as empresas comecem pela escuta, focando nos clientes que já retornam espontaneamente e estão dispostos a dialogar sobre o que funciona ou não. A IA pode atuar como um acelerador na gestão e escalabilidade dessas interações, mas a base é humana. A estratégia não visa vendas imediatas, mas a construção de um relacionamento de longo prazo. Como afirmou Rôças, "quem quer falar com todo mundo não vai falar com ninguém", reforçando que a profundidade do relacionamento prevalece sobre o alcance. Para empresas, isso se traduz em uma vantagem competitiva sustentável, baseada na lealdade e em um ciclo de feedback constante.
Economia criativa e o fator Brasil
O elo entre tecnologia e relacionamento é fortalecido pelo uso estratégico da cultura. Luiz Calainho, co-CEO da Aventura e CEO da L21 Corp, posicionou a economia criativa não como entretenimento, mas como uma indústria robusta e um veículo para posicionamento de marca. "Investir em arte e cultura também é uma forma de posicionar a sua marca", disse Calainho. Para empresas que usam IA para criar voz e gerir comunidades, a cultura oferece o 'quê' dizer, a substância que dá alma à tecnologia.
Essa estratégia, no entanto, precisa ser adequada ao contexto nacional. João Adibe, presidente da Cimed, destacou a importância da regionalização para o crescimento no país. "O Brasil é dez países. Se você quer ter uma empresa nacional hoje, se você não tiver um pensamento regional, você não consegue entender as oportunidades de cada estado", afirmou. A lição para líderes é que a implementação de qualquer estratégia de branding baseada em IA deve considerar as vastas diferenças culturais e de consumo do país. Uma identidade de voz ou uma abordagem de comunidade que funciona no Sudeste pode não ter a mesma eficácia no Nordeste. A aterrissagem bem-sucedida dessas tecnologias depende, portanto, da capacidade de adaptação local.
Os principais direcionamentos para líderes B2B que buscam integrar essas frentes podem ser resumidos em:
- Identidade Sonora: Utilizar IA generativa para desenhar uma voz de marca única, que reflita sua personalidade e seja aplicada de forma consistente em todos os pontos de contato.
- Relacionamento Contínuo: Mapear e engajar clientes recorrentes para iniciar a construção de uma comunidade com cultura própria, usando a tecnologia para escalar a gestão, não para substituir a interação.
- Posicionamento Cultural: Integrar a marca ao ecossistema da economia criativa como forma de gerar valor e conteúdo autêntico para a comunidade.
- Contexto Local: Adaptar a voz, a mensagem e as ativações de comunidade às particularidades regionais do Brasil, tratando o país como um conjunto de mercados distintos.
Análise IA News
A leitura da nossa redação
A convergência das discussões sobre IA de voz, comunidades e economia criativa no NEEX 2026 desenha um novo paradigma para o branding. A mensagem para os decisores é que a tecnologia está transcendendo a automação de tarefas para se tornar um instrumento de criação de personalidade e relacionamento. A plataforma da ElevenLabs oferece o 'como' uma marca fala, enquanto a estratégia defendida pelo executivo da OpenAI define 'com quem' ela dialoga. A união dessas duas frentes permite a construção de uma experiência de marca coesa e interativa, algo que a publicidade tradicional, baseada em interrupção, raramente alcança.
O principal desafio para as empresas brasileiras não será a adoção da tecnologia em si, mas a mudança de cultura organizacional que ela exige. Migrar de uma mentalidade de 'audiência' para 'comunidade' significa trocar métricas de alcance por métricas de engajamento e pertencimento, o que implica investir em estratégias de longo prazo com ROI não imediato. O risco é a implementação superficial: criar uma voz de IA genérica que não reflete a alma da marca ou lançar 'comunidades' que são, na prática, apenas mais um canal de transmissão de ofertas. Sem uma estratégia de conteúdo e um propósito claro, a tecnologia se torna um custo, não um ativo.
O ponto de diferenciação estratégica reside na integração com a economia criativa, como apontado por Luiz Calainho. Uma voz gerada por IA precisa de um roteiro, e uma comunidade precisa de um tema em comum. Ao investir em cultura, seja por meio de patrocínios, conteúdo ou parcerias, a empresa gera a matéria-prima que alimenta tanto a personalidade de sua voz quanto o engajamento de sua comunidade. Uma marca que utiliza uma voz sintética com sotaque regional para discutir um evento cultural que ela mesma apoia cria um ciclo virtuoso de autenticidade e relevância.
Nos próximos meses, será crucial observar como as primeiras empresas brasileiras irão aplicar o 'voice design' em suas operações de marketing e atendimento. Também é importante monitorar a evolução das ferramentas de IA para gestão de comunidades, que podem se tornar um novo campo de batalha competitivo. A verdadeira liderança de mercado virá não de quem adotar a IA primeiro, mas de quem souber integrá-la de forma mais inteligente à sua estratégia de marca, cultura e profundo conhecimento do cliente brasileiro.
Contexto para empresários e decisores
No Brasil, a adoção de IA para branding ainda é incipiente, com a maioria das empresas focada em automação de processos e análise de dados. A entrada de players globais como ElevenLabs e OpenAI com presença local e o barateamento relativo das tecnologias de IA generativa começam a colocar o 'voice design' e a gestão de comunidades no radar de empresas de médio e grande porte. A competição se intensifica, mas a principal barreira ainda é a falta de talentos especializados, como designers de voz e gerentes de comunidade com fluência em tecnologia. O ambiente regulatório sobre o uso de dados e IA para interação com o consumidor permanece como um ponto de atenção, exigindo uma abordagem cuidadosa por parte das empresas que decidem inovar nesta frente.
Impactos para empresas
- 1Diferenciação de marca aprimorada: resulta em maior reconhecimento em um mercado competitivo, podendo aumentar a preferência do consumidor e a margem de lucro.
- 2Aumento da retenção e do Lifetime Value (LTV): consequência da construção de comunidades engajadas, que geram lealdade e reduzem a necessidade de investimento constante em aquisição de novos clientes.
- 3Geração de insights de produto em tempo real: leva a ciclos de inovação mais rápidos e assertivos, ao monitorar as conversas autênticas que ocorrem dentro das comunidades da marca.
- 4Redução do custo de engajamento em escala: resulta em maior eficiência operacional nos times de marketing, ao permitir interações personalizadas com milhares de clientes sem um aumento proporcional da equipe.
- 5Risco de crise de reputação: pode ocorrer se a voz sintética ou a moderação da comunidade forem percebidas como falsas ou desalinhadas com os valores da marca, gerando desconfiança e afastando clientes.
Conclusão editorial
O debate no NEEX 2026 materializa uma mudança fundamental: a IA não é mais coadjuvante na eficiência operacional, mas protagonista na construção de valor de marca. A combinação de voz sintética, gestão de comunidades e investimento em cultura estabelece as bases para o futuro do relacionamento com o cliente. Líderes de negócios devem superar a fase de experimentação isolada e começar a desenhar uma estratégia integrada, tratando a IA como um pilar de branding, não apenas de automação.
— Redação IA News
Fontes utilizadas
Apuração, análise e conclusão editorial produzidas pela redação do IA News a partir das fontes acima. O conteúdo não reproduz o texto original.
