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SaaSholic: fundo de US$ 30 mi aposta em 'agentic software' e mercados de risco

Gestora de VC liderada por ex-Rock Content aprofunda tese em IA para SaaS, com cheques de até US$ 1,5 mi e aposta em startups que atuam dos EUA à Venezuela.

Por Análise IA NewsAnálise própria IA News28 de agosto de 20265 min de leitura
SaaSholic: fundo de US$ 30 mi aposta em 'agentic software' e mercados de risco
Foto: Brazil Journal

A SaaSholic concluiu a captação de seu terceiro fundo com US$ 30 milhões, reforçando sua tese de investimento no momento em que a inteligência artificial potencializa os negócios de software. Fundada em 2019 por Diego Gomes (Rock Content), William Cordeiro e Gustavo Souza, a gestora de venture capital mantém o foco em empresas de software em rodadas seed, mas agora com uma aposta central na era dos 'agentic software'.

A captação do Fundo III foi ancorada pela gestora Spectra, com um aporte de US$ 7 milhões, e por Ricardo Goldfarb, da família fundadora da Lojas Marisa, que triplicou o investimento feito no fundo anterior. Outro investidor estratégico é a Evertec, empresa de Porto Rico que adquiriu a Sinqia em 2023, buscando maior proximidade com o ecossistema de startups.

De SaaS para 'Agentic Software'

Para a SaaSholic, o modelo de software como serviço (SaaS) tradicional chegou a um ponto de inflexão. "Estamos vivendo uma transformação industrial com a inteligência artificial. O software que conhecíamos antes morreu, mas estamos entrando na era dos ‘agentic software’ e as possibilidades aumentaram muito", afirma o cofundador William Cordeiro.

Nesta visão, o 'agentic software' representa uma categoria de aplicações que não apenas oferece ferramentas para o usuário, mas executa tarefas de forma autônoma, funcionando como um agente digital. Porque a IA permite essa automação de processos complexos, os modelos de negócio se tornam mais escaláveis e abrem portas para a expansão internacional, segundo Cordeiro. A tese é que a IA possibilita a criação de negócios "muito mais interessantes" e com potencial de ir além do Brasil.

A estratégia para manter o 'pricing power'

A gestora reconhece que o boom da IA inflou o valuation de muitas rodadas, um movimento puxado principalmente por fundos estrangeiros de grande porte que precisam alocar cheques maiores. A SaaSholic, no entanto, adota uma estratégia para não entrar nesse jogo. "Nosso approach é de ajudar os empreendedores a construir a tese, então sempre conseguimos ter pricing power nas negociações", explica Cordeiro.

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Contexto visual da matéria: SaaSholic: fundo de US$ 30 mi aposta em 'agentic software' e mercados de risco
Gestora de VC liderada por ex-Rock Content aprofunda tese em IA para SaaS, com cheques de até US$ 1,5 mi e aposta em startups que atuam dos EUA à Venezuela. · Imagem ilustrativa — IA News

Ao liderar as rodadas e participar ativamente da definição dos termos, a gestora consegue garantir participações relevantes a valuations que considera justos. Essa abordagem se reflete na evolução da estratégia de alocação de capital entre os fundos:

  • Fundo I (US$ 1,5 mi) e Fundo II (US$ 10 mi): Cheques de US$ 150 mil a US$ 500 mil, resultando em participações de aproximadamente 10%.
  • Fundo III (US$ 30 mi): Cheques de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão, com o objetivo de atingir participações entre 12% e 15%.

O Fundo II, que investiu em 17 startups e ainda não devolveu capital, possui ativos marcados a cerca de 3 vezes o capital investido, com destaques como a Clicksign (assinatura digital) e a Jusfy (soluções para advogados), que captou US$ 15 milhões em sua última rodada.

IA como viabilizadora de mercados globais

Os dois primeiros investimentos do Fundo III exemplificam a tese na prática. O primeiro foi na Kapwork, uma startup que está exportando para os EUA o modelo brasileiro de registradoras de recebíveis. Nos EUA, o mercado não é regulado, o que abre brechas para fraudes como o desconto duplicado do mesmo recebível. "Resolver esse problema nos EUA era impensável antes, porque ia ter que construir uma empresa gigantes para ficar olhando todas as duplicatas. Agora, com a AI, isso é possível", diz Cordeiro. A SaaSholic liderou a rodada, que contou com a participação da CERC.

O segundo investimento é mais arrojado: a fintech venezuelana PagoASAP. A aposta é na reconstrução da infraestrutura tecnológica do país. Com apenas 2% da população utilizando cartões de crédito, a Venezuela carece de gateways de pagamento, dificultando o crescimento de negócios digitais. A PagoASAP atua como uma combinação de Stripe, Remessa Online e Wise, oferecendo um gateway que, ao final do dia, dolariza automaticamente o saldo para proteger os comerciantes da inflação. Em 12 meses de operação e sem capital externo, a empresa atingiu uma receita anualizada de quase US$ 3 milhões, gerando caixa mensalmente.

'Adventures Capital': a tese do risco calculado

O investimento na PagoASAP, de US$ 750 mil por 15% da empresa, representa cerca de 2% do Fundo III, um risco que a gestora classifica como uma "opcionalidade". "Fomos para a Venezuela, fizemos várias visitas, conversamos com o presidente da Bolsa, e lá não tem nada. O País está sendo reconstruído", relata Cordeiro.

A lógica por trás da aposta é que, em um cenário de demanda reprimida e ausência de concorrência, o potencial de crescimento é explosivo, mesmo com o elevado risco-país. Cordeiro justifica a decisão ao resgatar a origem do termo venture capital: "Ele é um deal mais arriscado, mas antes a nossa indústria se chamava Adventures Capital. Às vezes, precisamos arriscar um pouco mais." A meta do Fundo III é construir um portfólio de 15 a 20 ativos, similar ao fundo anterior.

Análise IA News

A leitura da nossa redação

A tese de 'agentic software' da SaaSholic é mais do que um jargão para surfar a onda da IA. Representa uma mudança fundamental na avaliação de negócios de software: o foco sai de ferramentas passivas e migra para sistemas autônomos que executam trabalho de alto valor. Para a gestora, a IA não é um 'feature', mas o próprio motor que possibilita modelos de negócio antes inviáveis, justificando a aposta em cheques maiores e participações mais relevantes.

O discurso de 'pricing power' em um mercado de valuations inflacionados revela uma disciplina estratégica. Ao se envolver na construção da tese com os fundadores, a SaaSholic foge da competição puramente financeira travada por fundos maiores e mais generalistas. Essa abordagem 'smart money' permite que a gestora defina os termos e garanta um alinhamento profundo com as investidas, um fator crítico para o sucesso em estágios iniciais, especialmente com tecnologias emergentes.

Os investimentos em Kapwork e PagoASAP, embora geograficamente díspares, são coerentes com a tese central. A Kapwork utiliza IA para criar uma camada de confiança e eficiência em um mercado desenvolvido, mas anacrônico (EUA). A PagoASAP, por sua vez, usa a IA para construir infraestrutura básica em um mercado devastado, mas com enorme potencial de recuperação (Venezuela). Em ambos os casos, a IA é o que torna a oportunidade, antes 'impensável', agora executável e escalável.

O investimento na Venezuela é uma aula de construção de portfólio de venture capital. Ao alocar uma fração pequena do fundo (2,5%) em uma aposta de altíssimo risco e retorno assimétrico, a SaaSholic compra uma 'opcionalidade'. Se o cenário político-econômico se confirmar e a PagoASAP prosperar, o retorno pode ser exponencial, impactando positivamente a performance de todo o fundo. Se falhar, a perda é controlada e não compromete a estratégia geral. É o princípio do 'Adventures Capital' aplicado de forma metódica.

Nos próximos meses, será crucial observar se essa abordagem de liderar rodadas com base em uma tese de IA aprofundada se tornará um padrão para outros fundos locais que buscam se diferenciar do capital estrangeiro. O desempenho inicial de Kapwork e PagoASAP servirá como termômetro para a validação da estratégia de investir em 'agentes de software' que resolvem problemas em extremos do espectro de desenvolvimento de mercado.

Contexto para empresários e decisores

No mercado brasileiro de venture capital, a tese da SaaSholic se destaca em um cenário de valuations pressionados por grandes fundos internacionais. A gestora utiliza sua especialização em SaaS e IA para se diferenciar, focando em modelos de negócio onde a tecnologia é o core, não um anexo. A adoção de 'agentic software' ainda é incipiente no Brasil, o que posiciona a SaaSholic na vanguarda da tendência. A estratégia de investir em mercados de alto risco como a Venezuela é atípica para VCs brasileiros e sinaliza uma busca por retornos descorrelacionados dos ciclos econômicos locais e de mercados já competitivos como o americano.

Impactos para empresas

  • 1Aumento da competição por talentos em IA: A tese da SaaSholic valida a demanda por profissionais que podem construir 'agentic software', elevando salários e a disputa por engenheiros de IA.
  • 2Pressão sobre valuations de SaaS tradicionais: Startups sem uma tese clara de IA podem enfrentar maior dificuldade para captar rodadas ou justificar múltiplos altos, à medida que investidores priorizam modelos 'agentic'.
  • 3Criação de novas avenidas de exportação de tecnologia: O caso da Kapwork demonstra que modelos de negócio brasileiros podem ser adaptados com IA para mercados maiores como o dos EUA, gerando receita em dólar.
  • 4Reavaliação de estratégias de expansão internacional: A aposta na Venezuela sinaliza que mercados não tradicionais com baixa concorrência podem oferecer retornos superiores, incentivando uma análise de risco-retorno mais ampla.
  • 5Necessidade de sofisticação na tese de investimento: Fundos de VC precisarão ir além de uma tese genérica de 'investir em IA', desenvolvendo conhecimento profundo em subnichos para gerar alfa.

Conclusão editorial

A estratégia do Fundo III da SaaSholic é um sinal de amadurecimento do venture capital brasileiro, combinando uma tese tecnológica específica com disciplina financeira. A aposta em 'agentic software' e a manutenção do 'pricing power' são a combinação correta para navegar no ciclo atual de hype da IA. Para fundadores, a lição é que uma tese robusta de IA e a capacidade de resolver problemas complexos são mais importantes do que valuations inflacionados. A recomendação é focar na construção de um negócio sólido, onde a IA seja o motor do modelo, não um acessório.

— Redação IA News

Fontes utilizadas

Apuração, análise e conclusão editorial produzidas pela redação do IA News a partir das fontes acima. O conteúdo não reproduz o texto original.